quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

DA EMOÇÃO Á LESÃO ( continua )


controle das manifestações das emoções negativas, pois, mesmo controlando as reações de ansiedade, pode haver níveis elevados da ativação fisiológica global, de alterações do sistema nervoso autônomo, de mudanças no sistema imune, etc.
Ao invés de se imunizarem contra as emoções negativas, que seria o ideal, as pessoas que se dizem controladas, podem não estar reconhecendo os estados emocionais negativos que estão experimentando. Podem estar dissimulando a raiva, a ansiedade, o medo ou a tristeza.
As tentativas de livrar-se (dissimular) dessas emoções negativas nem sempre têm êxito, pois algumas pessoas que aparentam uma certa tranqüilidade, podem estar desenvolvendo uma alta reatividade fisiológica. São pessoas obrigadas, pelo papel social que desempenham, a dissimular sentimentos diuturnamente, mas nem por isso significa que não estão experimentando intimamente tais emoções. Ou seja, o desgaste psicossomático proporcionado pelo esforço em dissimular emoções pode ser muito alto, vindo daí o conceito popular (e sensato) de que as emoções que não são manifestadas livremente acabam eclodindo em outro lugar do organismo.
Acredita-se, atualmente, que os transtornos psicossomáticos ou psicofisiológicos, como algumas dores de cabeça, das costas, algumas arritmias cardíacas, certos tipos de hipertensão arterial, algumas moléstias digestivas, entre tantas outras doenças, podem ser produzidas por uma excessiva ativação das respostas fisiológicas do órgão ou sistema que sofre a lesão ou disfunção (cardiovascular, respiratório, etc.). Seria uma espécie de disfunção do órgão ou do sistema orgânico por trabalhar em excesso por muito tempo.
A ansiedade apesar de ser considerada uma reação emocional normal e que surge como resposta do organismo diante de determinadas situações, quando tem sua freqüência, intensidade ou duração excessivas, passa a se tratar de uma ansiedade patológica. Psiquiatricamente a presença de forte estado ansioso, não somente pode ser a base dos denominados Transtornos de Ansiedade, mas também estar associada freqüentemente à depressão.
DA EMOÇÃO À LESÃO
O livro
 Da emoção à Lesão, do mesmo autor desse site (veja na seção Livros), diz respeito às doenças com verdadeiro componente orgânico, detectável por exames clínicos e não à somatização ou conversão, que são quadros onde existe a queixa mas não se encontra alterações orgânicas.
Clinicamente, uma ampla variedade de transtornos psicofisiológicos pode estar associada à ansiedade, entre eles os transtornos cardiovasculares, digestivos, cefaléias,  síndrome pré-menstrual,  asma, transtornos dermatológicos, transtornos sexuais, dependência química, transtornos alimentares, debilidade do sistema imune etc. As classificações tradicionais dos transtornos psicofisiológicos descrevem as seguintes doenças relacionadas com variáveis psicológicas.
DOENÇAS PSICOFISIOLÓGICAS (algumas)
Transtornos cardiovasculares
- doença arterial coronariana, hipertensão arterial, arritmias

Transtornos respiratórios
- asma brônquica, síndrome de hiperventilação, rinite alérgica

Transtornos endócrinos
- hiper ou hipotiroidismo, doença de Addison, Síndrome de Cushing, alterações das glândulas paratireóides, hipoglicemia, diabetes

Transtornos gastrintestinais
- transtornos esofágicos, dispepsia, úlcera péptica, síndrome do cólon irritável, colite ulcerosa, Doença de Crohn

Transtornos dermatológicos
- prurido, hiperhidrose, urticária, dermatite atópica, alopecia areata, psoríase, herpes, vitiligo

Dor crônica
- lombalgias, cefaléias, dor pré-menstrual, fibromialgia

Reumatologia
- artrite reumatóide

Transtornos imunológicos
- lúpus, depressão imunológica inespecífica
Mas, com o crescente reconhecimento da implicação de fatores psicológicos ou emocionais no desencadeamento e/ou agravamento da maioria das enfermidades orgânicas, as tabelas como acima acabam perdendo totalmente o valor. Quanto mais avançam os meios de investigação da patologia, mais se evidencia relevância dos fatores psicológicos na etiologia e desenvolvimento de um grande número de doenças até então não consideradas como psicofisiológicas.
Esses transtornos englobam desde doenças neurológicas, como a Esclerose Múltipla, até enfermidades infecciosas, como a tuberculose, passando por enfermidades imunológicas, como a leucemia (Wittkower y Dudek, 1973).
Desta forma, em muito pouco tempo, ao se descreverem os transtornos psicofisiológicos, não mais se fará referência a um determinado grupo distinto de enfermidades (como a lista acima), mas sim às alterações físicas que são precipitadas, agravadas ou prolongadas por fatores psicológicos. A psicossomática preocupar-se-á com as diversas categorias de reações orgânicas, utilizando-as para compreender qualquer transtorno físico nos quais os fatores psicológicos sejam importantes. Por exemplo, no caso do Lúpus Eritematoso Sistêmico, a psicossomática estará preocupada em estudar as alterações das emoções sobre a imunidade, sobre os linfócitos T, ou sobre as imunoglobulinas. Se, daí em diante, aparecerá Lúpus ou Artrite Reumatóide não será mais tão importante.
DA EMOÇÃO À EMOÇÃO MESMO
As emoções negativas podem, por sua vez, determinar não apenas uma repercussão orgânica, como de vê em psicossomática, mas, sobretudo, repercussões psico-emocionais. Neste caso, o excesso de ansiedade poderia se traduzir por Transtornos de Ansiedade. Vejamos os casos onde a ansiedade patológica "se converte" em quadros psiquiátricos definidos pelas classificações internacionais (CID.10 e DSM.IV):
Ataque de Pânico: caracteriza-se por crise súbita de sintomas de apreensão, medo intenso ou terror, acompanhados habitualmente de sensação de morte iminente. Aparecem também durante estes ataques, sintomas como palpitações, opressão ou mal estar torácico, sensação de sufocamento, medo de perder o controle, de ficar louco.
Agorafobia: caracteriza-se pelo aparecimento de ansiedade ou comportamento de evitação de lugares ou situações de onde escapar pode ser difícil ou complicado, ou ainda de onde seja impossível conseguir ajuda no caso de se passar mal.
Fobia específica: caracteriza-se pela presença de ansiedade clinicamente significativa, como resposta à exposição a determinadas situações e/ou objetos específicos temidos irracionalmente, dando lugar a comportamentos de evitação.
Fobia social: caracteriza-se pela presença de ansiedade clinicamente significativa como resposta a situações sociais ou atuações em público, e também podem dar lugar a comportamentos de evitação.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Da Emoção à Lesão ( continua )


Do ponto de vista psicológico, existem emoções naturais, fisiológicas, que aparecem em todas as pessoas e conseqüentes a um importante substrato biológico. Elas podem ser a alegria, o medo, a ansiedade ou a raiva, entre outras. Essas emoções podem ser agradáveis ou desagradáveis, capazes de nos mobilizar para a atividade e de influir na comunicação interpessoal. Portanto, essas emoções atuam como poderosos motivadores da conduta humana.
Além dessas emoções serem capazes de mobilizar o Sistema Nervos Autônomo, juntamente com outros órgãos e sistemas diretamente, não obstante, elas podem ter um importante papel na qualidade de vida psicológica. Portanto, as emoções influem sobre a saúde e sobre a doença não apenas em decorrência da psico-neuro-fisiologia, mas também através de suas propriedades motivacionais, pela capacidade de modificar as condutas saudáveis, tais como os exercícios físicos, a dieta equilibrada, o descanso, etc., conduzindo muitas vezes para condutas não saudáveis, como o abuso do álcool, tabaco, sedentarismo, etc.
Ansiedade, Tristeza e Raiva; complicações na saúde 
O termo emoções negativas se refere às emoções que produzem uma experiência emocional desagradável, como por exemplo, a ansiedade, a raiva e a tristeza. As emoções positivas são aquelas que geram uma experiência agradável, tais como a alegria, a felicidade ou o amor.
Hoje em dia há dados suficientes para podermos afirmar que as emoções positivas potencializam a saúde, enquanto as emoções negativas tendem a comprometê-la. Por exemplo, em períodos de estresse, quando as pessoas desenvolvem muitas reações emocionais negativas, é mais provável que surjam certas doenças relacionadas com osistema imunológico, como por exemplo, a gripe, herpes, diarréias, ou outras infecções ocasionadas por vírus oportunistas. Em contra partida, o bom humor, o riso, a felicidade, ajudam a manter e/ou recuperar a saúde (veja Bom Humor e Saúde, na seção Psicossomática).
Dentro das emoções negativas, uma das reações emocionais que mais se tem estudado é, sem dúvida, a ansiedade. Este é um estado emocional reconhecidamente associado a múltiplos transtornos. Uma segunda emoção negativa que está sendo muito estudada é a raiva, por sua estreita relação com os transtornos cardiovasculares. Finalmente, atristeza e sua representação psicopatológica, a Depressão, até pelo fato desta se acompanhar, em geral, de altos níveis de ansiedade.
A ansiedade pode ser considerada como uma reação natural que se produz diante de certos tipos de situações nas quais a pessoa necessitaria de recursos adaptativos extras. As situações onde se desencadeiam a reação de ansiedade têm em comum, em geral, a previsão subjetiva de possíveis conseqüências negativas para o indivíduo. Esta reação supõe uma mobilização de diferentes recursos cognitivos, tais como a atenção, a percepção, a memória, o pensamento, a linguagem, etc., de diferentes recursos fisiológicos, como a ativação do sistema nervoso autônomo, da ativação motora, da atividade glandular, etc., e de diferentes recursos de conduta, como estar alerta, evitação do perigo, etc. Tais recursos teriam como objetivo o enfrentamento das possíveis conseqüências negativas.
Apesar da ansiedade ser uma emoção natural, de caráter essencialmente adaptativo, quando excessiva ela pode estar na base de muitos processos que podem levar à doença.
Dissimular Emoções Negativas
Quando a pessoa experimenta altos níveis de ansiedade, durante tempo prolongado, seu bem estar psicológico se encontra seriamente prejudicado, seus sistemas fisiológicos podem se alterar por excesso de solicitação, seu sistema imunológico pode ser incapaz de defender seu organismo, seus processos cognitivos podem estar prejudicados provocando uma diminuição do rendimento e, finalmente, a evitação das situações que provocam essas reações ansiosas pode comprometer sua vida sócio-ocupacional.
Há pessoas que se regozijam de saberem controlar suas emoções. Mas, o fato de não se comportarem de acordo com esses sentimentos negativos não significa, automaticamente, que não estão experimentando as tais emoções negativas. Pode não bastar a essas pessoas o