A Cinergia das Cores
Do átomo à Via Láctea há uma cinergia comum, base de todos os seres. Essa cinergia universal está presente na natureza e em todos os seus componentes: no homem, nas plantas, nos minerais... Essa cinergia, apesar de universal, se expressa de forma diferente e própria em cada ser, em cada evento, tornando-o único.
Cada ser, cada componente se individualiza por seus aspectos próprios e sutis. Na interação interfere e sofre interferência dos demais. Estas interferências alteram sua cinergia ocasionando particularidades, ora ocasionando disfunções ora reajustes.
Respirando, liberamos carbono que irá compor os vegetais e absorvemos o oxigênio por eles produzido. Nosso calor vem do sol, através da fotossíntese das plantas. As plantas se nutrem dos minerais, os animais delas se alimentam e num processo de decomposição voltam a compor os minerais.
Dia-noite, homem-mulher, positivo-negativo, luz-escuridão, autonomia-dependência, são opostos complementares que possuem uma cinergia própria e ao mesmo tempo universal. Neste contido-conter, todas as coisas se expressam. Explicando este fenômeno, usando uma célula como elemento, Maturana & Varela ecrevem: "...não se trata de processos sequênciais, mas sim de dois aspectos de um fenômeno unitário. "A Árvore do Conhecimento" p.54
Parafraseando Odival Serrano:
Conceituar sem deixar de perceber
Que há um único em sendo tudo
Que há o todo em sendo único.-
Se próprio é
O comedimento do partilhar
O discernimento do delimitar
O momento complementar(...)
Se ninguém pode te dar
O que contido-contém
Por que sujeito-objeto
Queremos separar?
No prefácio do livro “A Árvore do Conhecimento”, escrito por Humberto Mariotti encontramos: “Nossa trajetória de vida nos faz construir nosso conhecimento do mundo, mas este também constrói seu próprio conhecimento a nosso respeito”. Exemplifica dizendo que não somos os mesmos após um passeio pela praia, mas nossa presença também deixará marcas no local. Assim como o dia e a noite, o qualitativo e o quantitativo, o espectro solar e as cores não podem ser compreendidos em separado.
Quase um soneto,
Orgânico, mental, gregário.
Onde o Universo é o cenário
E os opostos o complemento”
Odival Serrano
As cores que compõem a natureza (ou são por elas compostas) são resultado das características individuais de cada componente, numa relação contido-conter, e de uma ligação energia-movimento individuais e universais com base numa comum-união evolutiva e histórica. Deste princípio decorre também a forma como percebemos as cores.
A percepção de diferentes cores e de diferentes tonalidades de cores, assim como toda “experiência cognitiva inclui aquele que conhece de um modo pessoal, enraizado em sua estrutura biológica, motivo pelo qual toda experiência de certeza é um fenômeno individual cego em relação ao ato cognitivo do outro, numa solidão que só é transcendida no mundo que criamos junto com ele”.(MATURANA, Humberto & VARELA, Francisco in A Árvore do Conhecimento. P.22). Por isso, nem todos os seres vêem as mesmas cores. Seres de diferentes espécies, por sua estrutura biológica e neural, vêem cores diferentes. Seres da mesma espécie, mesmo com estruturas biológicas e neurais semelhantes percebem de forma diferente por reações próprias a diferentes estados neurais que se encontram e por influências históricas e sociais por que passaram.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.